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Feito melhor porque é feito na China

July 5, 2012

Made in China não é apenas indicativo de produtos baratos ou mal acabados. É cada vez mais sinal de qualidade. O governo chinês aposta com força no desenvolvimento da indústria e em pesquisa. E parece que os resultados estão aparecendo. Desta vez, quem aponta o movimento é a consultoria trendwatching, uma empresa de tendências que mantém caçadores de novidades em mais de 120 países. A edição de junho do relatório - divulgado mensalmente em várias línguas, inclusive o português - foi dedicada ao fenômeno do Made Better in China (feito melhor na China, em tradução livre).

Talvez ainda seja cedo para você listar marcas chinesas mundialmente famosas. Os brasileiros estão bem familiarizados à automotiva JAC, por exemplo. A Lenovo é outra das estrelas planetárias. Espere, tem muita coisa por vir - ainda que você acredite que há muito em qualidade a ser conquistado.

Esta qualidade virá em breve. A China vive um fenômeno importante: a urbanização também se dá no ritmo acelerado da economia que hoje já é a segunda do mundo. Mais da metade da população vive nas cidades. As projeções indicam que em 2030, esta fatia será de 80% - e 221 das cidades chinesas deverão ter mais de 1 milhão de habitantes.

A Academia de Ciências da China indica que a cada crescimento de 1% na taxa de urbanização há um incremento de 1,6% no peso da demanda doméstica no Produto Interno Bruto (PIB) chinês, segundo aponta a consultoria Delloite. Riqueza gera tantentos e tais talentos são cada vez mais abertos - e produtores - de uma cultura de inovação e de criativdade. Acredite, a China já ostenta um mercado interno grande e sofisticado, segundo outra constatação da Trend Watching.

- Nós não somos especialistas no que está acontecendo nos bastidores, mas dada a inundação de inovação que vemos hoje vinda da China, estes profissionais e empreendedores criativos estão no caminho certo - afirma o chefe de Pesquisa e Análise da Trend Watching, Henry Mason.

Escritório MAD assina Museu de História de Ordos/Janaína Camara da Silveira
O início de 2012 foi marcante para a arquitetura, quando Wang Shu venceu o prêmio Pritzker, o primeiro com um trabalho realizado em seu país. E ele não está só. Os proprietários do escritório MAD vão cada vez mais deixar sua marca por aí, graças a estruturas disformes e únicas dos prédios que assinam. Um deles está no Canadá, o outro em meio ao deserto na Mongólia Interior, na cidade de Ordos, um delírio de urbanidade chinês construído para abrigar 1 milhão de pessoas, e onde vivem pouco mais de 20 mil.

É, a Trend Watching aponta que em matéria de fazer mais estranho, os chineses também estão na frente. Em Beijing, dá para enviar carta vinda do espaço (não perca o relatório, outra vez o link, com mais uma chance para acessar). Mas eles também estão mais verdes, mais online e mais colaborativos e, cada vez, perseguidores do título de maiores - em qualquer categoria: o maior aeroporto, o maior ônibus, já têm o maior porto, a maior ponte marítima, a maior praça, e por aí vai.

E será que os chineses desenvolverão seus gostos próprios e os exportarão?

- Cada consumidor quer produtos e serviços sob medida para suas necessidades. Mas, claro, nas últimas décadas, tudo isso foi pensando para o mercado norte-americano, e, então, vendido globalmente. No mesmo sentido, o tamanho do mercado chinês significa que no futuro cada vez mais produtos de produção em massa serão desenvolvidos para os consumidores chineses, e dali vendidos para o mundo inteior. Na verdade, já é o que acontece com o setor automotivo - diz Mason.

Agora, no sentindo inverso, a marca de roupas e acessórios esportivos Li Ning se adapta cada vez mais ao gosto ocidental:

- Haverá outras empresas chinesas que adotarão esta estratégia - aposta o consultor.

Seminários

A Trend Watching promoverá entre agosto e outubro seminários em 13 metrópoles. O primeiro, em 13 de agosto, será em São Paulo. O terceiro, em 21 do mesmo mês, acontecerá em Shanghai. Henry Mason, que falou por e-mail ao Radar China, apresentará tendências e macrotendências de consumo. As apresentações, que também terão lideranças locais, abordarão tanto os eixos mundiais quanto regionais - em relatórios feitos localmente.

Para conhecer todas as datas, clique aqui. O Radar China acompanhará o evento em Shanghai.

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