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Estudo aponta 12 novas minitendências de consumo

September 15, 2012

Em mundo mais conectado, sustentável e com uma fusão de papéis entre empresas, consumidores e governos. É assim que a Trend-watching, empresa de análise de tendências, enxerga os próximos meses. As 12 minitendências identificadas pela pesquisa pipocam pelo mundo e demonstram que é possível ver uma relação entre o que ocorre em São Paulo e Paris ou entre Porto Alegre e o interior dos Estados Unidos.
-- Nós elegemos temas, mas, dependendo do local, sua manifestação vai ocorrer de uma forma diferente. A palavra "segurança" na América Latina é entendida como segurança urbana, enquanto no Japão pode se referir a baixos níveis de radioatividade -- explica Luciana Stein, diretora da trendwatching para a América Latina.

A transformação de uma novidade em tendência ocorre quando se observa o mesmo comportamento repetidamente e em vários locais, esclarece Luciana. Mas Genaro Galli, diretor do MBA da ESPM, considera que nem todas as tendências podem ser identificadas no Brasil.

-- São negócios sofisticados, requintados, que não são para grandes massas. As tendências chegam à fronteira do consumo. Enquanto isso, no Brasil ainda estamos na fase em que muita gente tem acesso pela primeira vez a viajar de avião, jantar fora, comprar sabão em pó da marca líder - afirma Galli.

Luciana prefere encarar a falta de manifestação de certas tendências no país como uma boa oportunidade:

-- Se enxergamos em outro lugar do mundo algo que está fazendo sucesso e não vemos aqui, é sinal de que é um novo negócio a se desenvolver. Em vez de ficar esperando ou reclamar que não temos uma tendência, o melhor seria correr para trazê-la.

Há um perfil específico de quem está atento a essas tendências e trazendo novidades ao público brasileiro: são jovens, com formação superior, que consomem notícias internacionais e estão se lançando em empreendimentos individuais e startups, identifica Galli.

E não há vergonha em adaptar essas ideias do outro lado do mundo à realidade local.

-- Muitas vezes você pode pegar uma inovação que alguém fez, fazer um melhoramento e pegar o mercado que a outra pessoa criou. Isso é uma tendência importante e é muito real. E o Brasil tem se adpatado bem -- aponta Eduardo Pinheiro Gondin de Vasconcellos, professor da USP na área de gerenciamento de inovação.

12 oportunidades a explorar

-- Tecnologia doméstica
Aplicativos que cruzam informações e entregam conteúdo personalizado para facilitar a vida do usuário. Como exemplo, um aplicativo despertador, que toca mais cedo se as condições de tempo tiverem a possibilidade de causar um atraso no deslocamento. Ainda não é comum no Brasil, porque há poucas plataformas que fazem cruzamento de dados de forma tão integrada.

-- Custowners - Consumidores e donos
São os consumidores que também se comportam como investidores das marcas. Seja por interesse financeiro ou por uma ligação emocional com a marca, esse consumidor paga mais pelo direito de saber o que está consumindo de forma mais transparente ou promover a expansão de uma empresa da qual gosta. A franquia britânica de fast food saudável Leon criou a Leon Bonds para levantar 1,5 milhão de libras dos seus clientes mais fiéis e assim expandir e abrir novas unidades.

-- Um toque mágico
Os cidadãos de Paris já podem encomendar água mineral apertando um ímã de geladeira. Já quem mora em Dubai pode encomendar uma pizza pelo mesmo método. A tecnologia do toque mágico pegou carona na simplicidade dos smartphones para resolver problemas de forma rápida e intuitiva. Com o reconhecimento de impressões digitais, é possível até conectar o dedo a um número de cartão de crédito e eliminar o pagamento em dinheiro.

-- Teenpreneur - empreendedores adolescentes
Os adolescentes descobriram que a tecnologia pode ser um ótimo negócio e, no rastro de alguns bons exemplos internacionais de jovens que ficaram milionários com um aplicativo ou site criado com poucos recursos, estão investindo nos seus próprios negócios, com profissionalismo de gente grande.

O adolescente Fabiano Libano, de 16 anos, estuda no Colégio Anchieta, em Porto Alegre e é um teenpreneur. Aos 15 anos, criou um aplicativo que calcula tarifas de táxi em várias cidades brasileiras. O iTaxi já teve mais de 15 mil downloads. Entre provas da escola e estudo para o vestibular, o adolescente não esconde o desejo de um dia criar aquele aplicativo que engordará de vez a poupança.

-- O que falta é ter uma ideia que faça esse sucesso acontecer. É uma possibilidade constante que está na minha cabeça -- diz.

Wilma Resende Araujo Santos, diretora superintendente da Junior Achievement Brasil, confirma que a ambição dos jovens tem aumentado nos últimos anos, com o domínio da tecnologia passando para as mãos deles.

-- Eles conquistaram a possibilidade de serem levados a sério. Os adolescentes estão muito atentos a todo o desenvolvimento tecnológico e acompanham isso muito de perto. Se inspiram nos voluntários, nos empresários e nos exemplos internacionais de quem teve sucesso a partir da tecnologia.

Fabiano se encaixa bem no perfil do novo empreendedor: jovem, de olho nas tendências do mercado internacional. Tanto é que seu trabalho mais recente foi desenvolver um aplicativo destinado exclusivamente ao mercado norte-americano.

-- Marcas que governam
Ao contrário das tendências mais tecnológicas, essa surgiu dos países emergentes e coloca América Latina e África em sintonia. As marcas que governam são as empresas que oferecem mais do que a simples venda dos seus produtos ou serviços. Elas realizam ações para preencher lacunas que o poder público deixou para trás.

Entre os exemplos, está uma companhia de seguros da África do Sul que criou uma força-tarefa para tapar buracos em estradas. No Brasil, há vários casos de empresas que criam campanhas de conscientização sobre temas como saúde, que não estão relacionados ao negócio principal.

-- Aplicativos Babá e 24/7 feedback
Se você está conseguindo se exercitar mais, um aplicativo de corrida que monitora os quilômetros percorridos serve para fazer essa feliz constatação e monitorar o progresso. Se você está se alimentando mal, um outro aplicativo pode denunciar que o número de calorias ingeridas está fugindo da sua dieta. Há um aplicativo para tudo, principalmente para monitorar cada aspecto da sua vida. Os aplicativos babás são cada vez mais comuns e servem para ajudar a disciplinar o comportamento.

No Brasil, há uma série de adaptações de aplicativos babás às necessidades nacionais. Preocupada com o alto índice de endividamento das famílias, a Febraban criou um aplicativo para que o usuário possa monitorar as pequenas despesas, como o cafezinho e o sanduíche, que chegam a engolir 30% do orçamento.

-- A Febraban fez uma pesquisa e descobriu que a principal causa do endividamento excessivo é a falta de um orçamento doméstico -- Fábio Moraes, diretor de educação financeira da Febraban

Se o saldo está próximo do negativo, o programa emite um alerta. Também é possível usar o Jimbo para planejar sonhos e destinar parte do orçamento para financiar uma viagem ou um carro, por exemplo, e calcular qual o juro que incide sobre cada compra parcelada.

-- Viciados em watts
Gadgets poderosos consomem cada vez mais energia, mas as baterias não andavam acompanhando essa necessidade. Até agora. Seja por excesso de sofisticação tecnológica ou por puro improviso, surgem alternativas para recarregar a energia daquele eletrônico que deixou você no escuro.

A Vodafone UK e o estilista Richard Nicoll criaram uma bolsa que pode carregar um celular durante o movimento. Anthony Mutua, um empreendedor queniano, desenvolveu um chip pequeno de cristais finos (que podem ser inseridos na sola de qualquer sapato) capaz de reunir e armazenar energia à medida que seu usuário anda.

-- Rede de segurança

Essa é uma tendência que brotou da América Latina, mas tem correspondência no mundo todo. São aplicativos e sites com o objetivo de garantir maior segurança. Na América Latina, a maioria se refere à prevenção de roubos e assaltos. Já na Ásia, os aplicativos são mais voltados para a segurança alimentar e mapeiam locais onde a comida ou a água têm risco de contaminação. No Japão, a comida é segura, o problema é a radioatividade. Há um celular com um medidor de radiação embutido.

-- Tasksumers - Consumidores atarefados
Terceirização de serviços pelos próprios consumidores. Essa é a ideia da tendência que tem como princípio a realização de pequenas tarefas em troca de dinheiro. O PleaseBringMe é um site da Turquia pelo qual os usuários podem pedir que os turistas tragam itens difíceis de serem encontrados dentro do seu país em troca de uma recompensa. O Mechanical Turks, da Amazon, propõe a realização de pequenas tarefas, propostas por outros usuários, por alguns centavos de dólar.

-- Super-Eco
A moda agora não é só reciclar ou usar materiais biodegradáveis, mas estender práticas sustentáveis a todas as etapas do negócio. Uma lanchonete, por exemplo, pode contratar apenas fornecedores de produtos orgânicos, que atestem boas práticas do início ao fim do processo, e aplicar essa filosofia em todas as etapas até que o prato chegue ao consumidor.

-- Curtindo na vida real
Aquela ideia de que para ter um negócio de sucesso bastava ter uma página com milhares de curtidas no Facebook ficou para trás. A tendência agora é fazer uma ponte entre a loja física e a página na rede social. No Brasil, a C&A implementou cabides com um contador eletrônico de curtidas. Quando um internauta curtia um modelo na rede social, o número aparecia no cabide correspondente à roupa.

Em Porto Alegre, o lançamento de um carro fez o inverso. Um totem com um botão curtir ficou disponível no parque Farroupilha. Quem quisesse conhecer o carro, suspenso por um guindaste, teria de apertar o botão. Quanto mais curtidas, mais perto o carro ficava do chão.
A E.life, empresa de marketing digital, captou essa tendência e decidiu implementar um cartão de fidelidade virtual em um shopping de Salvador. Quem registrasse sua presença em determinada loja, ganhava pontos que podiam ser trocados por brindes.

-- Podemos ir além e cruzar as curtidas. Por exemplo, podemos identificar que a maioria dos clientes que entraram e curtiram determinada loja também curte os Simpsons. E essa informação pode ser aproveitada para criar uma ação de marketing ou lançar novos produtos -- afirma Alessandro Barbosa Lima, um dos fundadores do grupo E.life.

-- Escassez artificial
Quanto mais exclusivo, melhor. Essa é a ideia da escassez artificial que leva o conceito ao extremo. Imagine uma música que só pode ser ouvida por uma pessoa de cada vez. Ou um jogo em que a morte virtual é definitiva e não permite tentar novamente.

A novidade, por enquanto, está restrita a mercados mais maduros, em que os consumidores estão dispostos a competir por exclusividade. A Doughnut Vault é uma padaria de Chicago que fecha suas portas depois de vender os donuts. Depois que o último item é comprado, ela só reabre na manhã seguinte.

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